dez
29
2010

Como não se apaixonar por um vampiro apaixonado?

Beth Fantasky entrevistada por Frini Georgakopoulos

De uns tempos para cá, a literatura jovem (a famosa Young Adult ou YA nos EUA) tem tomado conta das prateleiras brasileiras. São séries e mais séries de livros sendo publicados e conquistando leitores de todas as idades, sendo eles jovens ou apenas jovens em espírito.

Esse gênero de literatura traz em suas páginas a insegurança da adolescência, a tomada das primeiras decisões que formarão o caráter dos personagens, o primeiro grande amor, a primeira grande decepção e … bem, vampiros. Sim, as criaturas da noite tomaram conta dos corações das leitoras (e até do gosto dos leitores), que não se cansam de ver um imortal pálido conquistar o amor de uma mortal. Mas, e se a moça não consegue aturar o vampirinho em questão? Como fica?

“Como se livrar de um vampiro apaixonado” (originalmente “Jessica’s Guide to Dating on the Dark Side”) traz esse impasse. Jessica Packwood é uma adolescente aparentemente normal, filha adotiva de um casal de acadêmicos vegans e moradora do interior da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Acostumada a lidar com a lógica, a ciência e a matemática, seu mundo prático cai por terra quando ela conhece Lucius Vladescu, aluno romeno de intercâmbio que jura que é um príncipe vampiro e que está destinado desde o nascimento de Jessica – que, na verdade se chama Antanasia Dragomir e também é uma vampira – a se casar com ela.

Parece loucura, mas é verdade e Jess não acredita em uma palavra dessa história. Até ver por si mesma, a moça não é nada delicada com Lucius, que tenta de tudo para conquistá-la. Cavalheiro, lindo e rico, o moço não tem é tato com as meninas americanas e um dos pontos altos do livro é, além de o amadurecimento de Jess, ver como Lucius se transforma como personagem. A arrogância de Lucius no início incomoda e torna fácil torcer o nariz para “Como se livrar de um vampiro apaixonado” nas primeiras páginas, mas vale a pena dar uma chance a ele, pois conforme Jessica descobre sua personalidade por trás da imortalidade, nós também nos apaixonamos.

Mas por que será que gostamos tanto da literatura jovem com toques vampirescos? Melhor do que ninguém para responder a essa pergunta é a própria Beth Fantaskey, autora de “Como se livrar de um vampiro apaixonado”. Confira abaixo uma entrevista exclusiva com Beth. Mas, cuidado: pode conter SPOILERS.

Vampiros estão muito “na moda” na literatura jovem hoje em dia. Por que acha que os leitores – principalmente mulheres – são tão atraídos por esse gênero?

Beth Fantaskey: Eu pensei muito sobre isso! [risos] Acho que é o elemento do perigo que é tão atraente. Bad boys são sempre populares como personagens românticos. Por exemplo, o personagem de que mais gosto na literatura é Edmond Dantes, o Conde de Monte Cristo, e ele é um grande bad boy! [risos]. E acredito que vampiros levam isso um passo adiante, por literalmente terem a capacidade de matar você se quiserem. Eles têm esse lado perigoso, mas também são cavalheiros à moda antiga e muito protetores de suas amadas. É essa mistura que os tornam tão fascinantes na minha opinião.

Como você teve a ideia para a história principal de “Vampiro apaixonado”?

Beth Fantaskey: Quando comecei a escrever, a história estava mais voltada para o tema da adoção do que para vampiros. Eu queria contar como uma menina extremamente lógica e certinha passa a questionar tudo o que sabe sobre o mundo e sobre si mesma quando descobre que seus pais biológicos são tão diferentes dela. Então decidi que eles seriam vampiros. O noivado foi a solução a que cheguei para incorporar essa informação aos pais de Jessica e ainda sim tornar a situação romântica.

Como você criou a mitologia de seus vampiros em “Como se livrar de um vampiro apaixonado”?

Beth Fantaskey: Preciso dizer que eu não sabia que vampiros eram tão populares quando comecei a escrever meu livro. Sabia que a literatura sobrenatural era famosa, mas “Crepúsculo” não tinha estourado ainda e eu nem sabia que isso existia! Tudo que eu sabia sobre vampiros aprendi com Bram Stoker, que li quando criança. Eu simplesmente escrevi o meu livro com o que me parecia divertido e prático, sem me atentar para regras preexistents. Por exemplo, Lucius não pode ser ferido pela luz do sol apenas porque eu quero que ele vá para a escola e, para isso, ele precisa andar sob o sol, sabe? [risos]. E ele não me pareceu um cara que se deixaria intimidar por alho e água benta. Eu só criei um vampiro que, para mim, era sexy e empolgante e, possivelmente, também atrairia o gosto de outras garotas. Mas, no segundo livro, eu realmente construí em cima do mito que criei.

Quando você escreveu “Como se livrar de um vampiro apaixonado”?

Beth Fantaskey: Escrevi o livro entre 2006 e 2007, mas ele só foi publicado nos Estados Unidos por volta de 2009.

Jessica e Lucius são bem diferentes e têm muitos atritos na história. Mas, em uma passagem, Lucius explica a ela o significado de cavalheirismo, deixando clara a diferença entre isso e machismo. Como você ajustou suas personalidades a temas como esses no livro?

Beth Fantaskey: Quando comecei a escrever a história, Lucius se tornou um personagem muito dominante, mas eu precisava que Jessica também fosse forte, então tive que achar uma maneira de equilibrá-los para que ambos tivessem poder no relacionamento. E acho que foi por isso que acabei abordando o cavalheirismo. Para mim é isto: é abrir a porta para mim não porque dependo de você ou porque não posso fazer isso sozinha, mas porque mereço a gentileza, porque tenho poder nesse relacionamento também. [risos]. Acredito também que, por ser mãe de duas garotas, defendo a ideia de poder para as mulheres. [risos]

Em seu site você diz que tem duas filhas com a mesma idade, mas que não são gêmeas. Elas foram a inspiração para escrever uma história sobre adoção?

Beth Fantaskey: Acho que foram sim. Elas têm 6 e 7 anos e em fevereiro ambas terão sete. Têm apenas seis meses de diferença entre si e se amam como verdadeiras irmãs. Não conversamos muito sobre os pais biológicos delas, mas, quando falamos sobre o assunto, sempre nos perguntamos como eles deveriam ser. Acho que foi por isso que quis abordar o tema. Acredito que, no caso de filhos adotivos, por mais que seus pais biológicos sejam tão diferentes de você, é importante amá-los. É possível que eles te amassem muito, mas tiveram um motivo muito forte para ter que abrir mão de você.

Casamento em uma idade tão jovem (Jessica têm 18 anos) pode ser um tabu entre algumas leitoras. O que pensa sobre o assunto?

Beth Fantaskey: Sim, acredito que possa vir a ser um tabu, mas o segundo livro lida muito com essa questão. Perguntas como “será que foi uma boa ideia casar tão cedo?” e as responsabilidades e os desafios que vêm com isso aparecerão no próximo livro. Casamento entre pessoas tão jovens não é algo que eu apoiaria normalmente, mas é diferente nas circunstâncias especiais de Jessica, por ser seu destino.

Você disponibilizou quase um livro inteiro na internet sobre o casamento de Jessica e Lucius. O que podemos esperar para o segundo livro?

Beth Fantaskey: Inicialmente, eu não tinha planos para escrever um segundo livro sobre Jessica e Lucius. Nem passava pela minha cabeça que a minha editora americana fosse querer um segundo livro. Como recebi muitos e-mails de leitores querendo saber como seria o casamento, escrevi esse extra como uma forma de agradecer todo o apoio que recebi. Quando minha editora disse que queria um segundo livro, agarrei a oportunidade, porque tenho muito para contar!

No início do segundo livro, Jess precisa lidar com o fato de que não basta ser apaixonada para um casamento dar certo. Ela vê que a vida como um casal pode ser muito complicada e que você realmente precisa entender seus votos matrimoniais antes de fazê-los. O segundo livro* contará como ela vai se ajustar à ideia de ser uma princesa vampira e de ser casada com um vampiro que é potencialmente muito perigoso (mas sempre protetor quando ela está envolvida). Mas saberemos mais também sobre Mindy e o vampiro italiano que ela conhece durante o casamento de Jess e Lucius. Assim como o casamento, o segundo livro se passará no castelo deles e terá muita aventura e romance.

Como você criou os nomes Lucius Vladescu e Antanasia Dragomir?

Beth Fantaskey: Procurei muito em sites de nomes romenos. Escolhi Lucius porque quer dizer luz e tem uma conotação de Lúcifer. Para mim, esse equilíbrio entre luz e trevas é perfeito para ele. E Vladescu foi escolhido para remeter ao Vlad, o Impalador, figura histórica que inspirou Drácula.

Para ela eu queria um nome forte, mas não encontrei. Quis algo como a Anastásia, por ser filha de um czar. Por isso cheguei a em Antanasia Dragomir e pensei: “Nossa, com um nome desses, essa menina poderia ser uma rainha!”. E aí, depois, descobri que tem uma série de livros cuja personagem tem o mesmo sobrenome. Me senti muito mal sobre isso. Ninguém me avisou! [risos]

No seu blog, você tem uma grande interação com seus fãs. Isso ajuda o seu trabalho?

Beth Fantaskey: Nossa, isso me lembrou de que preciso atualizar o meu site! [risos] Amo a interação com os fãs! Eu não tinha ideia de que tudo isso iria acontecer. Na minha cabeça, você escrevia um livro, as pessoas liam e você não ouvia mais delas. [risos] Mas recebo muitos e-mails! Os leitores me inspiram a continuar escrevendo. Por exemplo, me pego pensando em situações para meus personagens assim: “Nossa, eles (leitores) vão gostar disso” ou “Nossa, eles vão ficar chocados com aquilo”. Eles realmente me inspiram demais!

“Como se livrar de um vampiro apaixonado” acaba de ser lançado no Brasil. Que mensagem você gostaria de deixar para seus leitores e fãs brasileiros?

Beth Fantaskey: Quero agradecer pelo grande apoio que deram ao livro antes mesmo de ele ser publicado! Espero que meus leitores brasileiros continuem mantendo contato comigo após terem lido o livro. Os capítulos do casamento estão sendo traduzidos, então espero que eles leiam e também gostem. Recebi retorno de leitores em lugares como França e Espanha, mas ninguém foi tão entusiasmado quanto meus leitores brasileiros. Foi incrível receber e-mails deles! Acho que a palavra é “obrigada”. [risos]

* A sequência – “Jessica Rules the Dark Side” (ainda sem tradução) – está prevista para ser publicada nos EUA no segundo semestre de 2011 e ainda não tem data de lançamento no Brasil.

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