abr
25
2011

O vampiro e a elefanta

“Água para elefantes”, que estreou no dia 22 nos Estados Unidos e chegará no dia 29 ao Brasil, é um dos filmes mais aguardados do ano. A razão principal: é a primeira grande produção protagonizada pelo ator inglês Robert Pattinson depois de virar ídolo de adolescentes do mundo inteiro como o vampiro Edward na saga Crepúsculo.

“Água para elefantes” é a adaptação do best-seller de mesmo nome escrito por Sara Gruen. O livro, lançado em 2006, já figurou em primeiro lugar na lista dos mais vendidos do jornal The New York Times e voltou ao ranking neste ano alavancado pelo filme (no Brasil, também está entre os mais vendidos). Na semana passada, era o segundo livro mais vendido nos Estados Unidos.

Contribuem ainda para a expectativa a edição deste mês da revista Vanity Fair, com Pattinson na capa, e o elenco talentoso, que inclui Reese Witherspoon (Legalmente loira) e Christoph Waltz, vencedor do Oscar de melhor coadjuvante por Bastardos inglórios. Ao menos em teoria, Água para elefantes tem tudo para se tornar um sucesso de bilheteria.

Um circo é feito de ilusões vendidas como realidade. Isso é o que Jacob (Robert Pattinson), protagonista do filme, aprende com August (Christoph Waltz) logo que entra para a trupe circense Benzini Brothers. No início do filme, Jacob é um homem de idade avançada que relembra a maior aventura de sua vida, ocorrida mais de sete décadas antes. Aos 20 e poucos anos, durante a crise americana da década de 30, Jacob perde os pais pouco antes de se formar veterinário. Sem rumo, acaba entrando no trem que transporta o Circo Benzini e recebe a proposta de cuidar de sua mais preciosa atração, a elefanta Rosie. Segundo August – o dono do circo –, lá tudo é inventado, e a falta de um diploma não é empecilho para exercer uma profissão como a de veterinário.

O doce Jacob aceita o trabalho e em pouco tempo está apaixonado: pela vida do circo, pela elefanta Rosie e por Marlena (Reese Witherspoon), a bela mulher de August.

Amparada por ótimos figurinos e cenários de época, a direção de Francis Lawrence (Eu sou a lenda) é bem-sucedida ao resgatar o charme circense do passado. Dá até para esquecer as manobras superproduzidas do circo moderno e acreditar que as acrobacias de um elefante sejam algo incrivelmente espetacular.

Apesar de ser um filme de época, Água para elefantes tem apelo atual, especialmente quando trata dos impactos de uma crise financeira no homem comum e pelo discurso em prol dos animais. Quanto a Robert Pattinson, não foi desta vez que o ator conseguiu provar seu talento dramático. Sua interpretação não é um desastre, mas correção não basta para se tornar um grande ator. Talvez a culpa seja da escolha do papel. Jacob se parece com o vampiro Edward – caninos pontiagudos à parte, ambos têm a mesma melancolia e bondade. Isso pode ser inovador para um vampiro, mas é pouco para um ator.

O vampiro e a elefanta
[Revista Época - SP - Mente aberta - 25/04/2011]

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