CAPÍTULO 14

– Uau! – Mindy falou em voz alta o que estava no meu pensamento, praticamente derrapando depois de passar correndo pela porta.

Ela parou e olhou para mim. Depois chegou mais perto, andando devagar, como se tomada por um espanto reverente pelo vestido. Ou talvez um espanto reverente por mim. Talvez, pela primeira vez, me visse realmente como uma princesa; porque era assim que eu me sentia, era isso o que minha postura anunciava.

– Uau! – repetiu ela, se aproximando, de modo que nós duas víssemos meu reflexo no espelho.

Mamãe também se juntou a nós, parando atrás de mim e pondo as mãos nos meus ombros nus. Vi que ela também me achou linda. Diferente.

– Você vai deixar oLucius sem ar – garantiu ela.

Não falei nada, porque não queria parecer convencida. Como poderia explicar que eu não era uma garota “bonitinha”, que naquele momento me sentia a mulher mais linda da face da Terra?

O corpete do vestido caía em mim como uma luva, acentuando as curvas que Lucius tinha me ajudado a aceitar, antes de se abrir numa cauda larga, branca como neve. Mas o corpete não era apenas branco, como um vestido de noiva tradicional. Tinha sobreposta uma seda preta tão delicada, tão transparente, que criava um lindo efeito de névoa, suave e gris, em volta de mim.

Esse detalhe poderia bastar para tornar meu vestido pouco convencional. Mas eu queria mais do que um vestido diferente. Queria um vestido que mostrasse a pessoa que eu tinha sido no passado – aquela garota virginal – e também a mulher, a governante, que eu sabia que estava me tornando. E assim instruí o alfaiate a acrescentar uma cascata de flores de renda preta, bordadas à mão com contas, retorcendo-se como uma trepadeira selvagem em volta do meu corpo. Um toque escuro, dramático, que, para mim, simbolizava o que Lucius chamava de “lado obscuro da natureza”, ao qual eu havia me juntado quando ele me tornou vampira e que eu estava destinada a governar com ele.

No espelho encarei meus olhos – escuros e dramáticos também, graças à maquiagem feita por Mindy – e então acreditei nas palavras de minha mãe. Eu realmente poderia tirar o fôlego do Lucius, como tinha esperado.

O espelho também refletia a janela do outro lado do quarto e notei que a luz lá fora ia se esvaindo. Os vampiros talvez já estivessem se reunindo no local secreto que Lucius havia escolhido para a cerimônia. E eu estava quase pronta, a não ser por uma coisa...

De repente o silêncio que havia caído no quarto foi interrompido por uma batida à porta que dava no corredor. Esqueci meu vestido por um momento – e que mamãe e Mindy estavam ali para fazer coisas como abrir portas para a noiva – e corri para atender.

Abrindo a porta, encontrei a pessoa que eu havia previsto, de certa forma com pavor, que estaria me esperando. Com a garganta subitamente apertada, assenti para que ele entrasse, sabendo que o serviçal não precisaria de fato de nenhuma instrução.

E, como eu esperava, ele caminhou diretamente, sem dizer nada, até uma mesinha e pousou a bandeja de prata que trazia.

Então, ainda sem dizer nenhuma palavra, ele se retirou para esperar do lado de fora enquanto eu realizava o primeiro ritual do meu casamento. O que mais me preocupava.

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