CAPÍTULO 6

Irmão?

Por uma fração de segundo a palavra me pegou totalmente desprevenida e me senti um tanto traída, certa de que Lucius havia escondido algo importante de mim, um segredo enorme.

E também fiquei pasma com o surgimento do novo convidado, que caminhava em linha reta pela sala, indo na direção de Lucius.

O restante de nós estava usando roupas formais. Até papai, que geralmente vestia camisetas decrépitas defendendo causas nas quais ninguém ao menos pensava, estava de terno. Mas o homem que cruzava toda a extensão da sala, rindo como se não percebesse que estava fazendo uma cena, usava apenas uma bermuda suja e uma camiseta amarela que anunciava uma loja de surfe em Venice Beach. Uma camiseta que parecia pior do que a maioria das do meu pai.

Enquanto ele passava pela mesa, a luz das velas se refletiu no cabelo castanho, comprido e brilhante, preso num rabo de cavalo frouxo com o que parecia um velho cadarço de sapato, de couro. Cabelo que talvez estivesse brilhando demais, como se precisasse ser lavado.

Notei um som familiar enquanto ele andava e olhei para seus pés, onde descobri um par de...

Sandálias de borracha pretas?

Levantei-me da cadeira, insegura, e me virei para Lucius, querendo algum tipo de explicação e talvez esperando que meu príncipe vampiro de modos impecáveis demonstrasse uma enorme insatisfação com aquela cena. Se aquele era mesmo seu irmão, a chegada tardia e a aparência desleixada eram um desrespeito.

Mas quando vi o rosto de Lucius, percebi que ele não parecia com raiva.

Pelo contrário, também estava rindo de orelha a orelha, pousando a taça e empurrando a cadeira para ir ao encontro do recém-chegado.

O que...?

Olhei para meus pais e para Mindy, que também pareciam confusos, e fiquei sem graça por não poder fazer nada mais do que dar de ombros, perplexa.

Ainda de pé e sem jeito, girei de volta para Lucius bem a tempo de vê-lo apertar a mão do cara que ele havia chamado de irmão, que por sua vez apertou a mão do meu futuro marido antes de puxá-lo no mesmo tipo de abraço masculino, com tapas nas costas, que Lucius trocara com meu pai.

Só quando Lucius pegou o estranho pelos ombros e o girou para nos encarar – para que eu pudesse ver seus sorrisos quase idênticos, os dentes brancos e brilhantes da nobreza Vladescu – acreditei em quem aquela pessoa era. Quando Lucius falou, ainda sorrindo, foi como se eu adivinhasse suas palavras:

– Este rato de praia que ousa se juntar a nós, atrasado e com vestimentas tão inadequadas, sinto quase vergonha de admitir, é meu padrinho de casamento.

Afundei de volta na cadeira, ainda não acreditando nos meus olhos.

Então esse era o lendário Raniero Vladescu Lovatu?

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