“Escrevi isso para você”: poesia para o dia a dia - Sextante
POESIA

“Escrevi isso para você”: poesia para o dia a dia

“Escrevi isso para você”: poesia para o dia a dia

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“Escrevi isso para você”: poesia para o dia a dia

Há quem veja a poesia como expressão inalcançável. Sendo livre, e é imprescindível que ela seja, a poesia pode ser isso (ou o contrário disso) a depender dos olhos que a percebem, claro. Se esse nó da dificuldade insiste em afastá-lo deliberadamente dos versos, Escrevi isso para você traz uma chance de desatá-lo. O livro do sul-africano Iain S. Thomas é um convite à aproximação. O passar das páginas ocorre sem esforço ou enfado. É, sem o veneno pejorativo, uma leitura fácil.

Originalmente publicados em plataformas on-line, os textos curtos marcam a leitura. A maior parte deles poderia ser escrito no Twitter sem a necessidade de abreviações. Não por acaso, algumas de suas frases-versos estão mesmo por lá. A coletânea de poemas parece se encaixar no sem-tempo da vida cotidiana: num trajeto curto de ônibus ou metrô, um quarto do livro se vai na leitura, fácil, fácil. Só não se vai completamente, porque tem sempre algo que fica. Seja o “Toda vez que cortam você, eu sangro” ou “Você levou todas as minhas palavras quando tudo que eu queria era dizê-las” ou… Esse ou não se esgota, enfim.

Sendo assim, pode ser livro de cabeceira também.

Embora o “escrevi” do título sugira frase atrás de frase, o livro faz uma combinação interessante de poemas e fotografia nas suas 200 páginas; interessante porque as imagens não servem como mera paráfrase dos textos, e são elas, muitas vezes, que ficam retidas por mais tempo em você.

Ainda que possa ser lido desordenadamente, em conjunto Escrevi isso pra você faz uma espécie de percurso do amor, com momentos de encantamento – da paixão ao cotidiano compartilhado – e de atalhos eventualmente dolorosos – da solidão ao fim anunciado. Entre um e outro, o livro se divide em quatro partes (Sol, Lua, Estrelas e Chuva). “Você era um sonho. Depois uma realidade. Agora uma recordação”, Thomas escreve na terceira delas. Na seguinte, grafa: “Conheça uma pessoa o máximo que puder. Agarre-se aos momentos que a definem. Quando o corpo dela partir, ela vai ficar”.

O desdobramentos dos seus textos-frases-poemas revela sentimentos e sensações que você provavelmente já experimentou e até mesmo escreveu, mesmo sem usar as mesmas palavras que ele. A identificação, mesmo que inevitável, não deixa de ser reveladora, cômica ou incômoda – tudo depende de quem é você e de que momento da vida (e do amor da vida) está. Assim, o livro não deixa de ser  também um convite para que você não desmereça seus sentimentos e os escritos (textos-frases-poemas, mínimos que sejam) eventualmente surgidos dessa voz interior.

Cinco curtinhas para guardar

Os cantos da sua boca

“E você perguntou porque sempre esperavam que você sorrisse nas fotografias. E eu disse que é porque as pessoas esperam que, no futuro, houvesse ao menos um motivo para sorrir”.

Batimentos cardíacos por minuto

“Você é a melhor parte de todas as músicas que eu amo”.

A emoção esquecida

“Sei que antes de você existia alguma coisa. Só não consigo lembrar o que era”.

Os esqueletos no mar

“A verdade é a última coisa que posso aceitar, porque foi a última que você levou”

A curva finita

“Você vai se machucar um número finito de vezes durante a vida. Você tem infinitas maneiras de lidar com elas”.

Este post foi escrito por:

Filipe Isensee

Filipe é jornalista, especialista em jornalismo cultural e mestrando do curso de Cinema e Audiovisual da UFF. Nasceu em Salvador, foi criado em Belo Horizonte e há oito anos mora no Rio de Janeiro, onde passou pelas redações dos jornais Extra e O Globo. Gosta de escrever: roteiros, dramaturgias, outras prosas e alguns poucos versos estão em seu radar.

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Filipe Isensee

Filipe é jornalista, especialista em jornalismo cultural e mestrando do curso de Cinema e Audiovisual da UFF. Nasceu em Salvador, foi criado em Belo Horizonte e há oito anos mora no Rio de Janeiro, onde passou pelas redações dos jornais Extra e O Globo. Gosta de escrever: roteiros, dramaturgias, outras prosas e alguns poucos versos estão em seu radar.

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