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MALCOLM GLADWELL

A decisão num piscar de olhos

A decisão num piscar de olhos

“Um verdadeiro deleite. Repleto de insights surpreendentes sobre nosso mundo e nós mesmos.” – Salon.com

“Gladwell cria outro fenômeno intelectual popular ao subverter o senso comum sobre a maneira como tomamos decisões.” – Bookmarks Magazine

 

Por que algumas pessoas são brilhantes ao tomar decisões e outras são incapazes de fazer a escolha certa? Por que algumas são bem-sucedidas ao seguir sua intuição enquanto outras se deixam levar por preconceitos e cometem grandes erros? Como nosso cérebro funciona no trabalho, na sala de aula, na cozinha e na cama?

Baseado em fundamentos científicos, Blink é um livro sobre como podemos julgar, decidir e fazer escolhas sem refletir muito a respeito. Para explicar o conceito, Malcolm Gladwell apresenta histórias impressionantes, como o caso do especialista em arte que, num único relance, descobriu que uma escultura comprada por uma fortuna pelo Museu Getty era uma falsificação; o produtor que percebeu todo o potencial de Tom Hanks no instante em que o conheceu; o psicólogo que, só de observar um casal conversar por apenas alguns minutos, consegue rever quanto tempo vai durar aquele relacionamento; entre outras.

Blink revela que, para tomar uma grande decisão, não é necessário processar mais informações ou deliberar por mais tempo, e sim desenvolver a arte de filtrar, a partir de inúmeras variáveis, as poucas informações que realmente importam.

****

 As pessoas acreditam que quanto mais informações reúnem e mais tempo passam refletindo sobre determinado assunto, mais consciente será sua tomada de decisão. Malcolm Gladwell, no entanto, rebate esse argumento com uma técnica de cognição rápida denominada “fatiar fino”, quando nosso inconsciente encontra padrões em situações e comportamentos com base em partes muito pequenas da experiência.

Ao relacionar o cotidiano e as descobertas recentes da neurociência, Gladwell comprova, por meio de diversos exemplos, que, em determinados casos, esse julgamento rápido pode ser tão ou mais valioso do que uma longa deliberação, mas também pode ter efeitos desastrosos, como nas situações em que as pessoas são traídas por seus preconceitos e não decidem com imparcialidade: num piscar de olhos, policiais podem matar inocentes e, no ambiente de trabalho, negros e mulheres perdem vagas e promoções para homens brancos menos capacitados que eles.

Blink muda a forma como compreendemos as nossas decisões, mostrando que é possível desenvolver a habilidade de extrair o máximo de informações no menor tempo.

“Um verdadeiro deleite. Repleto de insights surpreendentes sobre nosso mundo e nós mesmos.” – Salon.com

“Gladwell cria outro fenômeno intelectual popular ao subverter o senso comum sobre a maneira como tomamos decisões.” – Bookmarks Magazine

 

Por que algumas pessoas são brilhantes ao tomar decisões e outras são incapazes de fazer a escolha certa? Por que algumas são bem-sucedidas ao seguir sua intuição enquanto outras se deixam levar por preconceitos e cometem grandes erros? Como nosso cérebro funciona no trabalho, na sala de aula, na cozinha e na cama?

Baseado em fundamentos científicos, Blink é um livro sobre como podemos julgar, decidir e fazer escolhas sem refletir muito a respeito. Para explicar o conceito, Malcolm Gladwell apresenta histórias impressionantes, como o caso do especialista em arte que, num único relance, descobriu que uma escultura comprada por uma fortuna pelo Museu Getty era uma falsificação; o produtor que percebeu todo o potencial de Tom Hanks no instante em que o conheceu; o psicólogo que, só de observar um casal conversar por apenas alguns minutos, consegue rever quanto tempo vai durar aquele relacionamento; entre outras.

Blink revela que, para tomar uma grande decisão, não é necessário processar mais informações ou deliberar por mais tempo, e sim desenvolver a arte de filtrar, a partir de inúmeras variáveis, as poucas informações que realmente importam.

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 As pessoas acreditam que quanto mais informações reúnem e mais tempo passam refletindo sobre determinado assunto, mais consciente será sua tomada de decisão. Malcolm Gladwell, no entanto, rebate esse argumento com uma técnica de cognição rápida denominada “fatiar fino”, quando nosso inconsciente encontra padrões em situações e comportamentos com base em partes muito pequenas da experiência.

Ao relacionar o cotidiano e as descobertas recentes da neurociência, Gladwell comprova, por meio de diversos exemplos, que, em determinados casos, esse julgamento rápido pode ser tão ou mais valioso do que uma longa deliberação, mas também pode ter efeitos desastrosos, como nas situações em que as pessoas são traídas por seus preconceitos e não decidem com imparcialidade: num piscar de olhos, policiais podem matar inocentes e, no ambiente de trabalho, negros e mulheres perdem vagas e promoções para homens brancos menos capacitados que eles.

Blink muda a forma como compreendemos as nossas decisões, mostrando que é possível desenvolver a habilidade de extrair o máximo de informações no menor tempo.

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Ficha técnica
Lançamento 08/06/2016
Título original BLINK: THE POWER OF THINKING WITHOUT THINKING
Tradução NIVALDO MONTINGELLI JR.
Formato 14 x 21 cm
Número de páginas 240
Peso 300 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-431-0359-4
EAN 9788543103594
Preço R$ 44,90
Ficha técnica e-book
eISBN 9788543103600
Preço R$ 24,99
Lançamento 08/06/2016
Título original BLINK: THE POWER OF THINKING WITHOUT THINKING
Tradução NIVALDO MONTINGELLI JR.
Formato 14 x 21 cm
Número de páginas 240
Peso 300 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-431-0359-4
EAN 9788543103594
Preço R$ 44,90

E-book

eISBN 9788543103600
Preço R$ 24,99

Leia um trecho do livro

Introdução

Havia algo de errado com a estátua

Em setembro de 1983, um negociante de arte chamado Gianfranco Becchina procurou o Museu J. Paul Getty, na Califórnia. Ele disse que possuía uma estátua de mármore datada do século VI a.C. Tratava-se de uma peça conhecida como kouros – uma escultura de um jovem nu em pé, com a perna esquerda flexionada para a frente e os braços retos, junto ao corpo.

Existem hoje somente cerca de 200 kouroi, a maioria deles danificada ou em fragmentos, encontrados em túmulos ou em escavações arqueológicas. Mas aquele estava muito bem preservado. Tinha pouco mais de 2 metros de altura e possuía uma espécie de brilho pálido que o distinguia de outras obras antigas. Era um achado extraordinário. O preço pedido por Becchina era pouco inferior a 10 milhões de dólares.

O museu agiu com cautela. Tomou a estátua emprestada e iniciou uma rigorosa investigação. Ela era compatível com outros kouroi conhecidos? A resposta parecia ser sim. O estilo da escultura lembrava o do kouros Anavyssos, que se encontra no Museu Arqueológico de Atenas, o que significa que ela parecia se encaixar em uma época e um local determinados. Onde e quando a estátua havia sido encontrada? Ninguém sabia exatamente, mas Becchina entregou ao departamento jurídico do museu uma pilha de documentos relativos à sua história mais recente. A estátua, segundo os registros, fizera parte da coleção particular de um médico suíço chamado Lauffenberger desde a década de 1930, e ele, por sua vez, a havia adquirido de um comerciante de arte grego muito conhecido, chamado Roussos.

Stanley Margolis, geólogo da Universidade da Califórnia, foi ao museu e passou dois dias examinando a superfície da estátua com um estereomicroscópio de alta resolução. Pouco abaixo do joelho direito, ele recolheu uma amostra medindo 1 centímetro de diâmetro e 2 de profundidade e analisou-a com um microscópio eletrônico, uma microssonda eletrônica, espectrometria de massa, difração de raios X e fluorescência por raios X. Margolis concluiu que a estátua era feita de mármore dolomita da antiga pedreira de Cabo Vathy, na ilha de Thasos, e que a sua superfície estava coberta por uma fina camada de calcita – um fato significativo, disse Margolis ao museu, porque a dolomita somente pode se transformar em calcita no decorrer de centenas, se não milhares, de anos. Em outras palavras, a estátua era antiga. Não se tratava de uma falsificação contemporânea.

O Museu Getty ficou satisfeito. E assim, 14 meses depois de iniciada a investigação da estátua, eles concordaram em comprá-la. No final de 1986, ela foi exibida pela primeira vez. O jornal The New York Times marcou a ocasião com uma matéria de primeira página. Alguns meses depois, Marion True, a curadora de antiguidades do Getty, redigiu um longo e entusiasmado relato sobre a aquisição para a revista de arte The Burlington Magazine: “Em posição ereta, sem suportes externos, as mãos fechadas fixadas firmemente nas coxas, o kouros expressa a confiante vitalidade característica dos melhores dentre seus irmãos.” True concluiu, de forma triunfante: “Deus ou homem, ele incorpora toda a radiante energia da adolescência da arte ocidental.”

Porém, o kouros tinha um problema. Havia algo de errado com ele. O primeiro a observar esse fato foi um historiador de arte chamado Federico Zeri, que era membro do conselho de curadores do Getty. Em dezembro de 1983, quando foi levado ao ateliê de restauração para ver o kouros, Zeri se viu examinando as unhas das mãos da estátua. Ele não conseguiu verbalizar isso imediatamente, mas elas lhe pareceram erradas.

O mesmo aconteceu com Evelyn Harrison, uma das maiores especialistas do mundo em escultura grega. Ela estava em Los Angeles visitando o Getty pouco antes de o museu finalizar o negócio com Becchina. “Arthur Houghton, o curador na época, nos levou para ver a estátua”, lembra Harrison. “Ele puxou o pano de cima dela e disse: ‘Bem, ela ainda não é nossa, mas será em duas semanas.’ E eu falei: ‘Sinto muito por ouvir isso.’” O que Harrison tinha visto? Ela também não sabia. Naquele primeiro momento, quando Houghton tirou o pano, tudo o que ela teve foi um palpite, uma sensação instintiva de que algo estava errado.

Alguns meses depois, Houghton levou Thomas Hoving, ex-diretor do Museu Metropolitano de Arte de Nova York, o Met, para ver o kouros no estúdio de conservação. Hoving sempre anota a primeira palavra que lhe passa pela cabeça quando vê algo novo e nunca esquecerá o que pensou quando viu a estátua pela primeira vez. “Ela era ‘viçosa’”, lembra Hoving. E “viçosa” não era exatamente a melhor reação para se ter diante de uma escultura de 2 mil anos.

Mais tarde, lembrando aquele momento, Hoving descobriu por que aquele pensamento surgira em sua mente: “Eu havia feito escavações na Sicília, onde encontramos pedaços dessas coisas. Elas não saem da terra com essa aparência. O kouros parecia ter sido mergulhado no melhor café com leite da Starbucks.”

Hoving voltou-se para Houghton e indagou: “Você já pagou por isto?”

Houghton, lembra Hoving, pareceu atordoado.

“Se pagou, tente recuperar seu dinheiro”, disse Hoving. “Se não pagou, não o faça.”

Os curadores do Getty estavam começando a se preocupar; assim, decidiram realizar um simpósio especial sobre o kouros na Grécia. Embalaram a estátua, despacharam-na para Atenas e convidaram os maiores especialistas em escultura. Desta vez a consternação foi ainda maior.

Em determinado momento, Harrison estava sentada ao lado de George Despinis, diretor do Museu da Acrópole. Ele deu uma olhada no kouros e empalideceu. “Qualquer um que já viu uma escultura saindo da terra sabe que essa coisa nunca esteve enterrada”, comentou ele. Georgios Dontas, diretor da Sociedade Arqueológica de Atenas, viu a estátua e imediatamente sentiu um calafrio. “Quando vi o kouros pela primeira vez”, disse ele, “senti como se houvesse um vidro entre mim e a obra.” Depois de Dontas, foi a vez de Angelos Delivorrias, diretor do Museu Benakis. Ele discorreu longamente sobre a contradição entre o estilo da escultura e o fato de o mármore de que ela foi feita ter vindo de Thasos. Então ele chegou ao ponto. Por que achava que se tratava de uma falsificação? Porque, quando pôs os olhos na estátua pela primeira vez, ele sentiu uma onda de “repulsa intuitiva”.

Terminado o simpósio, muitos dos participantes pareciam ter entrado em um consenso: o kouros não era aquilo que acreditavam que fosse. O Museu Getty, com seus advogados, cientistas e exaustivas investigações, chegara a uma conclusão, e alguns dos maiores especialistas mundiais em escultura grega – apenas por olhar para a estátua e sentir uma “repulsa intuitiva” – haviam chegado a outra. Quem tinha razão?

Durante algum tempo isso não ficou claro. O kouros era o tipo de coisa sobre a qual os especialistas debatiam em conferências. Mas então, pouco a pouco, a situação do museu começou a se deteriorar. Por exemplo, descobriu-se que eram falsas as cartas que seus advogados tinham usado para rastrear a escultura até o médico suíço Lauffenberger. Uma delas, datada de 1952, trazia um código de endereçamento postal que só viria a existir 20 anos mais tarde. Outra carta, datada de 1955, fazia referência a uma conta bancária que fora aberta apenas oito anos depois.

Originalmente, a conclusão de longos meses de pesquisa fora que o kouros Getty tinha o mesmo estilo que o kouros Anavyssos. Mas isso também passou a ser motivo de dúvidas: quanto mais os peritos em escultura gregos olhavam para ele, mais o viam como uma desconcertante mistura de estilos, lugares e períodos diferentes. As proporções delgadas se assemelhavam àquelas do kouros Tenea, que se encontra em um museu de Munique, e seus cabelos adornados com contas se pareciam com os do kouros que está no Museu Metropolitano de Nova York. Por outro lado, seus pés tinham um aspecto moderno. Mas o kouros ao qual ele mais se assemelhava era uma estátua menor e incompleta, descoberta por um historiador de arte britânico na Suíça em 1990. As duas estátuas eram feitas de um mármore parecido e esculpidas de maneira similar. Mas o kouros suíço não vinha da Grécia antiga.Vinha da oficina de um falsificador em Roma do início da década de 1980.

E quanto à análise científica que dizia que a superfície do kouros Getty somente poderia ter envelhecido ao longo de centenas de anos? Acontece que as coisas não eram tão claras. Baseado em um estudo posterior, outro geólogo concluiu que era possível “envelhecer” a superfície de uma estátua de mármore dolomita em dois meses usando bolor de batata. No catálogo do Museu Getty há uma foto do kouros com a anotação “cerca de 530 a.C. ou falsificação moderna”.

Quando Federico Zeri, Evelyn Harrison, Thomas Hoving, Georgios Dontas e todos os outros olharam para o kouros e sentiram uma “repulsa intuitiva”, eles estavam absolutamente certos. Em apenas dois segundos de exame – um único relance –, eles conseguiram captar melhor a essência da estátua do que a equipe do Getty em 14 meses.

Blink é um livro a respeito desses dois segundos.

Introdução

Havia algo de errado com a estátua

Em setembro de 1983, um negociante de arte chamado Gianfranco Becchina procurou o Museu J. Paul Getty, na Califórnia. Ele disse que possuía uma estátua de mármore datada do século VI a.C. Tratava-se de uma peça conhecida como kouros – uma escultura de um jovem nu em pé, com a perna esquerda flexionada para a frente e os braços retos, junto ao corpo.

Existem hoje somente cerca de 200 kouroi, a maioria deles danificada ou em fragmentos, encontrados em túmulos ou em escavações arqueológicas. Mas aquele estava muito bem preservado. Tinha pouco mais de 2 metros de altura e possuía uma espécie de brilho pálido que o distinguia de outras obras antigas. Era um achado extraordinário. O preço pedido por Becchina era pouco inferior a 10 milhões de dólares.

O museu agiu com cautela. Tomou a estátua emprestada e iniciou uma rigorosa investigação. Ela era compatível com outros kouroi conhecidos? A resposta parecia ser sim. O estilo da escultura lembrava o do kouros Anavyssos, que se encontra no Museu Arqueológico de Atenas, o que significa que ela parecia se encaixar em uma época e um local determinados. Onde e quando a estátua havia sido encontrada? Ninguém sabia exatamente, mas Becchina entregou ao departamento jurídico do museu uma pilha de documentos relativos à sua história mais recente. A estátua, segundo os registros, fizera parte da coleção particular de um médico suíço chamado Lauffenberger desde a década de 1930, e ele, por sua vez, a havia adquirido de um comerciante de arte grego muito conhecido, chamado Roussos.

Stanley Margolis, geólogo da Universidade da Califórnia, foi ao museu e passou dois dias examinando a superfície da estátua com um estereomicroscópio de alta resolução. Pouco abaixo do joelho direito, ele recolheu uma amostra medindo 1 centímetro de diâmetro e 2 de profundidade e analisou-a com um microscópio eletrônico, uma microssonda eletrônica, espectrometria de massa, difração de raios X e fluorescência por raios X. Margolis concluiu que a estátua era feita de mármore dolomita da antiga pedreira de Cabo Vathy, na ilha de Thasos, e que a sua superfície estava coberta por uma fina camada de calcita – um fato significativo, disse Margolis ao museu, porque a dolomita somente pode se transformar em calcita no decorrer de centenas, se não milhares, de anos. Em outras palavras, a estátua era antiga. Não se tratava de uma falsificação contemporânea.

O Museu Getty ficou satisfeito. E assim, 14 meses depois de iniciada a investigação da estátua, eles concordaram em comprá-la. No final de 1986, ela foi exibida pela primeira vez. O jornal The New York Times marcou a ocasião com uma matéria de primeira página. Alguns meses depois, Marion True, a curadora de antiguidades do Getty, redigiu um longo e entusiasmado relato sobre a aquisição para a revista de arte The Burlington Magazine: “Em posição ereta, sem suportes externos, as mãos fechadas fixadas firmemente nas coxas, o kouros expressa a confiante vitalidade característica dos melhores dentre seus irmãos.” True concluiu, de forma triunfante: “Deus ou homem, ele incorpora toda a radiante energia da adolescência da arte ocidental.”

Porém, o kouros tinha um problema. Havia algo de errado com ele. O primeiro a observar esse fato foi um historiador de arte chamado Federico Zeri, que era membro do conselho de curadores do Getty. Em dezembro de 1983, quando foi levado ao ateliê de restauração para ver o kouros, Zeri se viu examinando as unhas das mãos da estátua. Ele não conseguiu verbalizar isso imediatamente, mas elas lhe pareceram erradas.

O mesmo aconteceu com Evelyn Harrison, uma das maiores especialistas do mundo em escultura grega. Ela estava em Los Angeles visitando o Getty pouco antes de o museu finalizar o negócio com Becchina. “Arthur Houghton, o curador na época, nos levou para ver a estátua”, lembra Harrison. “Ele puxou o pano de cima dela e disse: ‘Bem, ela ainda não é nossa, mas será em duas semanas.’ E eu falei: ‘Sinto muito por ouvir isso.’” O que Harrison tinha visto? Ela também não sabia. Naquele primeiro momento, quando Houghton tirou o pano, tudo o que ela teve foi um palpite, uma sensação instintiva de que algo estava errado.

Alguns meses depois, Houghton levou Thomas Hoving, ex-diretor do Museu Metropolitano de Arte de Nova York, o Met, para ver o kouros no estúdio de conservação. Hoving sempre anota a primeira palavra que lhe passa pela cabeça quando vê algo novo e nunca esquecerá o que pensou quando viu a estátua pela primeira vez. “Ela era ‘viçosa’”, lembra Hoving. E “viçosa” não era exatamente a melhor reação para se ter diante de uma escultura de 2 mil anos.

Mais tarde, lembrando aquele momento, Hoving descobriu por que aquele pensamento surgira em sua mente: “Eu havia feito escavações na Sicília, onde encontramos pedaços dessas coisas. Elas não saem da terra com essa aparência. O kouros parecia ter sido mergulhado no melhor café com leite da Starbucks.”

Hoving voltou-se para Houghton e indagou: “Você já pagou por isto?”

Houghton, lembra Hoving, pareceu atordoado.

“Se pagou, tente recuperar seu dinheiro”, disse Hoving. “Se não pagou, não o faça.”

Os curadores do Getty estavam começando a se preocupar; assim, decidiram realizar um simpósio especial sobre o kouros na Grécia. Embalaram a estátua, despacharam-na para Atenas e convidaram os maiores especialistas em escultura. Desta vez a consternação foi ainda maior.

Em determinado momento, Harrison estava sentada ao lado de George Despinis, diretor do Museu da Acrópole. Ele deu uma olhada no kouros e empalideceu. “Qualquer um que já viu uma escultura saindo da terra sabe que essa coisa nunca esteve enterrada”, comentou ele. Georgios Dontas, diretor da Sociedade Arqueológica de Atenas, viu a estátua e imediatamente sentiu um calafrio. “Quando vi o kouros pela primeira vez”, disse ele, “senti como se houvesse um vidro entre mim e a obra.” Depois de Dontas, foi a vez de Angelos Delivorrias, diretor do Museu Benakis. Ele discorreu longamente sobre a contradição entre o estilo da escultura e o fato de o mármore de que ela foi feita ter vindo de Thasos. Então ele chegou ao ponto. Por que achava que se tratava de uma falsificação? Porque, quando pôs os olhos na estátua pela primeira vez, ele sentiu uma onda de “repulsa intuitiva”.

Terminado o simpósio, muitos dos participantes pareciam ter entrado em um consenso: o kouros não era aquilo que acreditavam que fosse. O Museu Getty, com seus advogados, cientistas e exaustivas investigações, chegara a uma conclusão, e alguns dos maiores especialistas mundiais em escultura grega – apenas por olhar para a estátua e sentir uma “repulsa intuitiva” – haviam chegado a outra. Quem tinha razão?

Durante algum tempo isso não ficou claro. O kouros era o tipo de coisa sobre a qual os especialistas debatiam em conferências. Mas então, pouco a pouco, a situação do museu começou a se deteriorar. Por exemplo, descobriu-se que eram falsas as cartas que seus advogados tinham usado para rastrear a escultura até o médico suíço Lauffenberger. Uma delas, datada de 1952, trazia um código de endereçamento postal que só viria a existir 20 anos mais tarde. Outra carta, datada de 1955, fazia referência a uma conta bancária que fora aberta apenas oito anos depois.

Originalmente, a conclusão de longos meses de pesquisa fora que o kouros Getty tinha o mesmo estilo que o kouros Anavyssos. Mas isso também passou a ser motivo de dúvidas: quanto mais os peritos em escultura gregos olhavam para ele, mais o viam como uma desconcertante mistura de estilos, lugares e períodos diferentes. As proporções delgadas se assemelhavam àquelas do kouros Tenea, que se encontra em um museu de Munique, e seus cabelos adornados com contas se pareciam com os do kouros que está no Museu Metropolitano de Nova York. Por outro lado, seus pés tinham um aspecto moderno. Mas o kouros ao qual ele mais se assemelhava era uma estátua menor e incompleta, descoberta por um historiador de arte britânico na Suíça em 1990. As duas estátuas eram feitas de um mármore parecido e esculpidas de maneira similar. Mas o kouros suíço não vinha da Grécia antiga.Vinha da oficina de um falsificador em Roma do início da década de 1980.

E quanto à análise científica que dizia que a superfície do kouros Getty somente poderia ter envelhecido ao longo de centenas de anos? Acontece que as coisas não eram tão claras. Baseado em um estudo posterior, outro geólogo concluiu que era possível “envelhecer” a superfície de uma estátua de mármore dolomita em dois meses usando bolor de batata. No catálogo do Museu Getty há uma foto do kouros com a anotação “cerca de 530 a.C. ou falsificação moderna”.

Quando Federico Zeri, Evelyn Harrison, Thomas Hoving, Georgios Dontas e todos os outros olharam para o kouros e sentiram uma “repulsa intuitiva”, eles estavam absolutamente certos. Em apenas dois segundos de exame – um único relance –, eles conseguiram captar melhor a essência da estátua do que a equipe do Getty em 14 meses.

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Malcolm Gladwell

Sobre o autor

Malcolm Gladwell

Malcolm Gladwell é colunista da revista The New Yorker desde 1996. Escreveu também O ponto da virada, Blink – A decisão num piscar de olhos, Fora de série – Outliers, Davi e Golias e O que se passa na cabeça dos cachorros, todos best-sellers do The New York Times e publicados pela Editora Sextante. Trabalhou no jornal The Washington Post, cobrindo negócios e ciência. Foi nomeado uma das 100 pessoas mais influentes pela revista Time e um dos Maiores Pensadores Globais pela Foreign Policy. Gladwell nasceu na Inglaterra, cresceu no interior do Canadá e hoje mora em Nova York.

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